Comunidades Quilombolas de Caucaia (CE) serão beneficiadas com atendimento móvel de saúde
A partir desta iniciativa da gestão municipal, Caucaia será a primeira cidade do Ceará a implantar este serviço contínuo e humanizado, em prol de Comunidades Quilombolas.
Fonte: Ascom Prefeitura Municipal de Caucaia.
Comunidades Quilombolas do município de Caucaia (cidade cearense que integra a Região Metropolitana de Fortaleza) contarão, a partir deste mês janeiro do ano corrente, com um serviço de saúde inédito, exclusivo, contínuo, qualificado e humanizado, - o atendimento móvel de saúde, composto por equipe multiprofissional preparada para atuar diretamente com a população quilombola.
A iniciativa que foi aprovada e alinhada em reunião realizada em 22 de dezembro de 2025, que contou com as presenças do prefeito de Caucaia, Naumi Amorim; do secretário municipal de saúde, Moacir Soares; do médico quilombola, Diogo Augusto; e de Cristina Quilombola, representante da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).
Ao todo, serão beneficiadas diretamente, 2.615 pessoas, distribuídas em 9 territórios quilombolas: Capuan; Boqueirão do Arara; Boqueirãozinho; Porteira; Serra do Juá; Cercadão das Nicetas; Serra da Conceição; Serra da Rajada; e Deserto. E, por meio desta modalidade de atendimento, objetiva-se assegurar acesso contínuo aos serviços básicos de saúde, com abordagem humanizada e respeito às especificidades culturais e territoriais dessas comunidades. Com a implantação deste serviço, Caucaia se tornará a primeira cidade do Ceará a ofertar atendimento especializado desse tipo.
Para o prefeito de Caucaia, Naumi Amorim, a implantação do serviço representa um marco no fortalecimento das políticas públicas de equidade em saúde. Segundo ele, a iniciativa nasce do diálogo direto com as comunidades quilombolas e do reconhecimento de seus direitos.
Levar saúde até esses territórios é promover dignidade para quem, historicamente, teve menos acesso aos serviços públicos,
Comunidades Quilombolas e sua origem

Fonte: Quilombos do Ceará
As Comunidades Quilombolas são grupos formados por descendentes de escravizados que fugiram da escravidão e estabeleceram assentamentos autônomos, preservando suas tradições culturais e sociais. Suas raízes estão nos quilombos, que eram locais de refúgio para escravizados fugitivos durante o período colonial no Brasil. Esses grupos se formaram a partir do século XVI, quando africanos escravizados escapavam das fazendas e engenhos, buscando liberdade e autonomia. O Quilombo dos Palmares, localizado no atual estado de Alagoas, é um dos mais conhecidos e representativos da resistência quilombola.
Comunidades Quilombolas Cearenses
De acordo com dados do Censo Demográfico de 2022, o Ceará possui 153 localidades quilombolas. Essas comunidades são definidas como grupos étnico-raciais autodeclarados, que têm ancestralidade negra, refletindo a rica herança cultural, seus desafios enfrentados, e mantêm relações territoriais específicas. A maioria dessas localidades não está formalmente reconhecida, com cerca de 80% dos quilombolas vivendo fora de terras oficialmente delimitadas. E dentre os mais de 30 municípios do Ceará, em que estas comunidades quilombolas estão distribuídas, pode-se citar:
- Tamboril;
- Caucaia;
- Quixadá;
- Novo Oriente;
- Crateús;
- Itapipoca;
- Ocara;
- Salitre;
- Ipueiras;
- Tururu;
- Pacujás;
- Araripe;
- Horizonte;
- Baturité.
Desafios, Lutas e Importância Cultural
As comunidades quilombolas no Ceará enfrentam diversos desafios, incluindo a luta por reconhecimento legal e direitos à terra. Apenas duas comunidades possuem títulos de terra formalizados, após longos processos de luta e resistência. Além disso, questões relacionadas ao abastecimento de água e à educação quilombola ainda precisam ser abordadas de forma mais eficaz.
Estas Comunidades, presentes não só no Ceará, mas em diversos cantos do território brasileiro, são formadas por trabalhadores da agricultura familiar, que produzem uma variedade de produtos, como: mandioca; mel; e artesanato. São fundamentais para a preservação da cultura afro-brasileira, pois desempenham um papel importante na história do Ceará, do Brasil; refletem não só riqueza cultural, mas também seus muitos desafios enfrentados, bem como a necessidade de políticas públicas que garantam seus direitos e promovam justiça e inclusão social.









